Jornal da Mostra


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Nº 520
30ª Mostra > 07/09/2007
Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Leon Cakoff, de Veneza, para o ‘Jornal da Mostra’
“LA GRAINE ET LE MULET”, DE KECHICHE, ENCANTA E PROVOCA AS PLATÉIAS
La Graine et le Mulet, de Abdellatif Kechiche

“LA GRAINE ET LE MULET”, DE KECHICHE, ENCANTA E PROVOCA AS PLATÉIAS

LA GRAINE ET LE MULET foi unanimidade de público e crítica no 64º Festival de Veneza. Ele é o terceiro longa-metragem de Abdellatif Kechiche, ator e cineasta francês de origem tunisiana. O filme é o resumo das melhores tradições (e contradições) francesas de acolher imigrantes e mostrar solidariedade e tolerância com outras culturas do mundo.

Kechiche parece pecar em excessos ao longo de toda a sua narrativa tragicômica sobre um pai recém desempregado. Ele trabalhava reparando barcos no porto de Sète, na França. Do começo ao fim há longas seqüências que extenuam os espectadores atentos. Algumas delas gostaríamos mesmo de não as ver. Mas quando o filme acaba aceitamos tudo e as suas imagens ficam já na saudade. Algumas dessas longas seqüências são memoráveis graças às interpretações femininas, todas sublimes.

No desemprego, o imigrante tunisiano põe à prova a tolerância francesa sobre toda a sua comunidade. Reforma por conta própria um velho navio para fazer dele um restaurante que irá servir o melhor prato que a sua ex-mulher ainda faz nos almoços de domingo para os filhos, cunhados e netos – um cuscuz de peixe. Mas um projeto assim desencadeia vários processos junto à burocracia da prefeitura, da saúde pública e no banco que pede financiamento. Segui-lo neste projeto de vida, entre todas as reticências da família e das autoridades, faz de LA GRAINE ET LE MULET um dos filmes mais comoventes da temporada. E com direito a uma dança de ventre ao final da projeção que restará na antologia do cinema de sensualidade extrema.