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Cinema sem fim

 

Difícil ordenar o pensamento com este tema tão complexo.
O retrocesso faz lembrar o envolvimento de milhares de seres que contribuíram com suas criações em filmes, sonhos e manifestos que tanto nos estimularam. A história do cinema, graças aos seus inventores e obstinados criadores, foi a razão de nossa energia que este ano completa um ciclo ininterrupto de 30 anos.

O exemplo da Mostra Internacional de Cinema é o da persistência. Da resistência, primeiro; da curiosidade com suas inquietudes, antes. O que vem depois, no lastro desta intensa história de 30 anos, é só recompensa. Por solidariedades, sobretudo.

E de um sentimento aliviado de missão cumprida com o lastro do olhar generoso de tantas platéias pela tolerância e a diversidade cultural. Missão cumprida também com a as informações que nos empenhamos em trazer a São Paulo e ao país, abreviando o tempo da sua difusão e conhecimento. Sem a solidariedade internacional com a Mostra isso também não seria possível.

Escrevem-se histórias como se quer. As histórias podem ser manipuladas e aceitam a dialética e os caprichos de cada tempo. Mas o cinema é outra história. Ele é único e tem história própria. Só precisa de ajuda para chegar às suas platéias. Precisa de condutores como a Mostra sempre se prestou a ser. Para resgatar auto-estimas. O cinema é a nossa motivação e energia para compreender um mundo que segue espantando por suas injustiças e pela falta de soluções.

O cinema nos ensina e nos guia. Por suas luzes passamos a  ser um pouco menos cegos, como sugere a singela arte comemorativa do mestre Manoel de Oliveira. O cinema abre nossos olhos, enche-nos de sabedoria e energia. Transforma-nos em super-heróis sem que sejamos personagens de exceção. Com o cinema conseguimos viver histórias inesquecíveis. E, o melhor de tudo, vivemos histórias de cinema sem fim.