Destaques > 30ª Mostra > 24/10/2006

Público prestigia primeira sessão gratuita no vão do Masp.


Os diretores da Mostra, Leon Cakoff e Renata de Almeida, abriram nesta segunda-feira, dia 23, as sessões gratuitas programadas para o vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo), na avenida Paulista. Até a próxima quinta-feira, dia 02 de novembro, serão exibidos, sempre no horário das 19h30, filmes premiados em edições anteriores, em comemoração aos trinta anos da Mostra. Na sessão de inauguração foi projetado o longa Pão e Tulipas (2000), de Silvio Soldini.

Meia hora antes da exibição, uma longa fila já estava formada em frente ao museu. Apesar da preocupação em garantir um lugar, todos conseguiram assistir ao filme confortavelmente num dos quinhentos assentos disponíveis. Há três anos sem ir ao cinema, a funcionária pública aposentada Marta Ribeiro Gomes, 62 anos, era só animação. “Estava passando por aqui e, quando vi que ia acontecer a sessão, liguei pro meu marido e avisei que ia chegar atrasada em casa.” Moradora de Itaquera, Zona Leste da capital, Marta disse à reportagem que acha muito interessante iniciativas como a promovida pela Mostra, mas acredita que o ideal seria promover exibições também na periferia. “Onde moro, conheço gente que nunca foi ao cinema na vida. Isso lá na periferia ia fazer sucesso”, diz.

Os espectadores Laila Szafran e Caio Silva Ferraz
Os estudantes Caio Silva Ferraz e Laila Szafran


Os estudantes Caio Silva Ferraz, 19, e Laila Szafran, 17, também fizeram questão de ressaltar a importância do evento. “É legal quando alguém faz algo contra a elitização da cultura”, diz Laila. Ferraz, por sua vez, acredita que esta elitização se deva muito ao preço do ingresso: “O ingresso de cinema é muito caro. Mesmo pagando meia, para um estudante o custo ainda é muito alto.” Apaixonado por cinema, o desempregado Massao Yiba, 59 anos, pretende assistir a todas as sessões realizadas no vão livre. “Antes ia ao cinema pelo menos duas vezes por mês, mas agora, sem emprego, tive de diminuir a freqüência”, lamenta.