Destaques > 30ª Mostra > 22/10/2006
DEBATE:A RELAÇÃO ENTRE A MÚSICA E O CINEMA

Debate A Música Vista Pelo Cinema, da esquerda para direita: Christian Petermann, Ricardo Van Steen, Serginho Groisman, Douglas Crawford e Rose La Creta
Realizado no sábado, dia 21, A Música Vista pelo Cinema foi o tema do primeiro debate no Clube da Mostra, no lounge montado no sexto andar do Shopping Frei Caneca. Participaram da mesa os diretores Ricardo van Steen, de Noel – O Poeta da Vila, Douglas Crawford, de Punks São Legais, a produtora e roteirista Rose La Creta, de Nzinga, e o crítico de cinema e editor do catálogo da Mostra Christian Petermann. O apresentador Serginho Groisman foi o mediador.
Crawford disse que o punk se tornou importante para ele desde a adolescência, chegando a mudá-lo como pessoa. Por isso, ele já pensa num segundo filme sobre o assunto. Rose explicou que o cinema musical é sua expressão natural, já que ela foi alfabetizada com música e não consegue por isto se dissociar dela. Van Steen, por sua vez, destacou que sempre gostou de samba. Ao ouvir a música “Último Desejo”, de Noel Rosa, concluiu que só aquela canção já daria um roteiro de filme. Começou então a ler a biografia do compositor que, apesar de ter vivido apenas vinte e poucos anos, tinha muito a contar por seu humor e inteligência. Petermann lembrou que a música é um elemento de formação do filme, é co-narradora, quando usada na medida certa. Em alguns casos, há um exagero sonoro que praticamente obriga o espectador a sentir determinada emoção. E, nesse sentido, os diretores foram unânimes em descartar o uso da trilha.
O elemento comum entre estes filmes é o Brasil. Embora Punks São Legais seja um filme canadense, há uma banda brasileira, Blind Pigs, que foi influenciada pela banda cult Forgotten Rebels. Estes brasileiros, por sua vez, também se tornaram uma influência, mas na Indonésia, onde possuem fãs. Crawford explicou que não foi ele quem escolheu as bandas, mas sim que foi por elas escolhido, já que usou a internet para selecionar as bandas vistas no filme. Rose, por sua vez, disse que a batida do tambor a chamou para o tema e um encontro com Naná Vasconcelos tornou o projeto real. Ela considera Naná o guia musical da produção, para a qual ele compôs a bela canção-título. Van Steen revelou que para seu filme precisava mais de cantores que de atores. Mas Rafael Raposo tomou para si o papel de Noel já no teste, por sua emoção à flor da pele, que o levava a reagir exatamente como imaginava o diretor. Mesmo assim, o ator ainda fez quatro meses de aulas de canto e seis meses de aulas de violão.