Jornal da Mostra
Assine aqui o 'Jornal da Mostra'
Edição:
Renata de Almeida e Leon Cakoff
Palma de Ouro para Ken Loach destaca cinema de estilo e conteúdo
O Grande Prêmio do Júri, o segundo na hierarquia das premiações, foi para o diretor francês Bruno Dumont com o filme “Flandres”. Seu foco está na brutalidade mecânica de jovens entre os cenários do campo e os palcos de uma guerra indistinta em algum país de cultura árabe. Um filme já de mestre.
O prêmio de roteiro distinguiu o ícone espanhol Pedro Almodóvar por “Volver”, que também levou um polêmico prêmio coletivo de interpretação feminina, colocando no mesmo pacote atrizes de vários matizes profissionais: Penélope Cruz, Carmen Maura, Lola Dueñas, Blanca Portillo, Yohana Cobo e Chus Lampreave. Um prêmio de valor à riqueza do universo feminino nos filmes de Almodóvar.
O prêmio de melhor direção foi para o mexicano Alejandro González Iñárritu por “Babel”. Com Loach, Amodovar e Dumont, o júri de Wong Kar Wai respeitou o cinema autoral de conteúdo em detrimento a um cinema rico em formas mas vazio de conteúdo como o representado pela americana Sophia Coppola e o seu vaiado “Marie Antoinette”.
Igualmente coletivo e original foi o prêmio de interpretação masculina, para os atores de “Indigènes”, de Rachid Bouchareb, sobre a participação e o sacrifício desconhecido de milhares de jovens das então colônias árabes da França, que lutaram e morreram na Europa para derrotar o avanço nazista. Os premiados foram Jamel Debbouze, Sammy Nacéri, Sami Bouajila, Roschdy Zem e Bernard Blancan.
O último prêmio do júri para filmes de longa-metragem foi para a inglesa Andrea Arnold e o seu thriller “Red Road”. Trata-se de mais uma invencionice do cineasta dinamarquês Lars Von Trier que o festival de Cannes avaliza. Mais uma regra tipo Dogma, tipo “façam o que digo, não façam o que faço”, do esperto e muitas vezes brilhante Lars Von Trier. Com “Red Road”, onde uma mulher quer vingar a morte por atropelamento da filha e do marido, a regra ‘trieriana’ é a seguinte: serão escritos três roteiros distintos partindo-se da idéia dos mesmos personagens em situações diferentes. O primeiro foi este “Red Road” onde a justiceira exerce o fascinante trabalho policial de observar a vida das pessoas através de câmeras urbanas de vigilância. O esperto Lars Von Trier acaba de criar mais uma marca registrada e vai nos obrigar a seguir o destino dos próximos dois filmes desta nova série. E porque não?
Um outro júri, paralelo, com os irmãos belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne e o crítico brasileiro Luis Carlos Merten, atribuiu a ‘Camera d’Or” para melhor diretor estreante ao romeno “A Fost Sal n-a Fost/ 12:08 East of Bucharest”, de Corneliu Porumboiu, e sua comédia dramática sobre a queda da ditadura e a improvável participação dos habitantes de uma pequena cidade periférica na derrubada do regime. Havia expectativa para que este prêmio fosse para o mexicano “El Violín”, de Francisco Vargas. Mas quem ganhou pelo filme foi o veterano Don Angel Tavira, o ator que faz um velho e comovente violinista no filme, pai de um resistente na região de Chiapas. E ainda assim este foi um prêmio paralelo entre os da seleção ‘Un Certain Regard’, onde o chinês “Luxury Car”, de Wang Chão foi o grande prêmio.
Em mais outras premiações paralelas, o turco “Iklimler/
Climates”, de Niri Bilge Ceylan e o paraguiaio “Hamaca Paraguaya”,
de Paz Encina” ficaram com os prêmios da crítica; e nas premiações
da seção Semana da Crítica, os curtas “Kristall”,
dos alemães Christoph Girardet e Mathias Muller, e “Alguma Coisa
Assim/ Something like that”, de Esmir Filho, ficaram entre os destaques.
Mais informações em:
www.festival-cannes.org