Jornal da Mostra

Diretores da ARTE destacam oportunidades de co-produções com o Brasil
André de Margerie,
François Sauvagnargues e Leon Cakoff
Nº 389 > 29ª Mostra > 02/11/2005



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Diretores da ARTE destacam oportunidades de co-produções com o Brasil

Convidados da 29a. Mostra, os diretores do canal franco-alemão ARTE (pronuncia-se “ARTÊ”), os franceses François Sauvagnargues e André de Margerie, participaram de dois encontros no Clube da Mostra (Conjunto Nacional – Corredor Cine Bombril, Av. Paulista 2073) no domingo (30) e segunda (31). Nessas conversas, das quais participaram Vera Tude, da TV Cultura; Sandra Cacetari, da STV; Marco Altberg, da Associação Brasileira de Produtores Independentes; Bete Carmona, da TVE -, Mário Borgneth, do Ministério da Cultura, bem como produtores e diretores, os dois dirigentes da ARTE destacaram as oportunidades de co-produções entre o Brasil e a França através da emissora, que tem um perfil diferenciado, com ênfase em documentários e filmes de ficção de perfil mais elevado.

Sauvagnargues, que é diretor do departamento de ficção (telefilmes) da ARTE, frisou que desde o começo, a filosofia do canal é atrair o melhor da produção mundial. “Sem talento não há TV”, afirmou. Em seguida, citou algumas áreas onde vê maiores possibilidades de cooperação entre os dois países, caso dos documentários. A ARTE tem dois horários semanais reservados ao formato e atende a essa demanda em parte co-produzindo novos projetos, em parte comprando filmes já prontos. Entre os temas mais valorizados estão a natureza e a aventura.

O diretor ponderou que a seleção exercida pelo canal é muito grande. Citando seu próprio departamento, informou que recebe cerca de 500 roteiros por ano, dos quais apenas 25 são efetivamente realizados por eles. Outro departamento da ARTE, o de cinema, compra cerca de 60 filmes ao ano. Porém, na maioria são filmes europeus. Da América Latina, segundo Sauvagnargues, o canal compra um a dois filmes por ano.

Em termos de co-produções, o canal participa de aproximadamente 20 filmes anualmente. O teto de recursos para as co-produções, segundo Sauvagnargues, gira entre um e dois milhões de euros para filmes de ficção e entre três e quatro milhões para documentários.

André de Margerie, diretor do departamento internacional da ARTE, destacou uma experiência inédita da emissora, que se tornou acionista de um canal canadense, o ARTETV, que também tem um perfil diferenciado em termos de programação, mas, ao contrário da emissora franco-alemã, tem receita de publicidade.

Sauvagnargues enfatizou o sucesso da ARTE em atrair talentos do cinema para as produções da emissora. Um caso recente foi o de Philippe Garrell, diretor de “Les Amants Reguliers”. Trata-se de um filme de três horas, em preto-e-branco, que foi exibido primeiramente na ARTE, depois estreou nos cinemas franceses. O diretor do canal disse que a ARTE produziu cerca de 70 filmes nesse sistema (com estréia primeiro na TV, indo depois para os cinemas) e que essa situação já é absorvida sem problemas pelo público francês. Entre estas produções, figura Marius e Jeannette (21ª Mostra), dirigido por Robert Guédiguian e visto por cerca de um milhão e meio de espectadores na França.

O público paulista tem, por meio da 29ª Mostra, a oportunidade de conhecer alguns dos filmes co-produzidos pela ARTE. Estão programados: A Criança (L’Enfant), vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2005,
À Procura do Orfeu Negro (À La Recherche d’Orfeu Negro), Espera (Attente), Golpe de Estado contra Hugo Chávez (Coup d’état contre Hugo Chávez), Nus (Nus), A Casa dos Saoud (La Maison des Saoud), Martha Argerich, Conversas Noturnas (Martha Argerich, Conversation Nocturne ), A Rua das Figueiras (La Rue des Figuiers), Vénus et Apollon: Printemps Doux nº 19, Vénus et Apollon: Printemps Doux nº 20, Lula: A Gestão da Esperança (Lula: la gestion de l’espoir), O Rouxinol (Le Rossignol), O Sonho de São Paulo (Le Rêve de São Paulo), O Último Mitterrand (Le Promeneur du Champ de Mars) e A Grande Viagem (Le Grand Voyage).

O financiamento da ARTE é proporcionado a partir do pagamento de uma taxa anual de 110 euros que cada habitante paga para ter televisão em casa. O orçamento geral do canal alcança com isso 350 milhões de euros, dos quais 260 milhões são dedicados à produção.


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