Jornal da Mostra
Lílian Taublib, Ricardo Trepa, Sergio Groisman, Antonio Fagundes e Paulo Betti
Nº 380 > 29ª Mostra > 28/10/2005
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Cinema nacional depende dos atores
Enquanto não houver uma indústria cinematográfica brasileira de fato, com poder para se autofinanciar, cabe aos atores atrair o público para as produções nacionais. Esta é uma das conclusões tiradas do debate "O papel dos atores no cinema", realizado na última segunda-feira, dia 24, no Clube da Mostra (corredor Cine Bombril, no Conjunto Nacional). Com a participação dos atores Antonio Fagundes (do elenco de Achados e Perdidos), Ricardo Trepa (de Espelho Mágico), Lílian Taublib (de Crime Delicado), Paulo Betti (ator e diretor de Cafundó) e mediação do apresentador Sergio Groisman, o debate atraiu grande público.Veterano, com participação em 40 filmes, Fagundes ressaltou a falta de roteiristas no Brasil, que leva a um grande número de adaptações literárias. Sem bons roteiros e bons diálogos não se vê o trabalho do ator, explicou. Para Ricardo Trepa, trabalhar em roteiro original é mais interessante, pois exige do ator mais pesquisas para compor o personagem. Lílian, que atua pela primeira vez, considera que sua vida mudou totalmente após o impacto de fazer seu primeiro filme. Agora ela quer estudar e continuar fazendo cinema.
Betti, que já fez 20 filmes como ator e estréia como diretor, explicou que, no Brasil, diretor é quem consegue juntar dinheiro para fazer um filme, pois ninguém quer produzir para outro dirigir. É por isso que Fagundes acha positivo que emissoras de televisão, como a Globo, invistam no cinema. Ele também não vê problema na presença maciça de atores globais no cinema nacional, pois além de atrair público, os atores auxiliam o diretor, já que com a experiência em interpretação facilitam as filmagens. O diretor brasileiro não pode repetir cenas, explicou, já que a verba para a produção é escassa.
Fagundes destacou ainda que é preciso acabar com o preconceito contra o popular. É preciso conquistar a massa, para depois leva-la a apreciar o erudito, o clássico ou o experimental. Betti acrescenta que no Brasil valoriza-se mais o diretor, é ele que está à frente da produção, porém para o público os atores são mais importantes. O consagrado diretor português Manoel de Oliveira (homenageado com uma retrospectiva e lançamento de livro na 29ª Mostra), que estava na platéia, disse que as novelas brasileiras são extraordinárias e que não ficam a dever nada ao cinema europeu e norte-americano. Ressaltou ainda que os atores brasileiros são magníficos, espontâneos, atuando com muita naturalidade.