Jornal da Mostra
Do Visível ao Invisível
Nº 379 > 29ª Mostra > 27/10/2005
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Em dois curtas da Mostra, a invisibilidade segundo Abbas Kiarostami e Manoel de Oliveira
A Mostra Internacional de Cinema apresenta em sua 29a edição dois curtas que fazem parte do seu novo projeto de longa-metragem Os Invisíveis. São eles O Mestre Invisível, de Evaldo Mocarzel e Leon Cakoff, dedicado ao cineasta iraniano Abbas Kiarostami; e Do Visível ao Invisível, do mestre português Manoel de Oliveira.O Mestre Invisível aproveita trechos da oficina dada por Abbas Kiarostami para estudantes de cinema, em outubro de 2004, na Faap, como parte das atividades da 28ª Mostra BR de Cinema, onde revela que a sua maior satisfação como cineasta e tornar-se imperceptível aos olhos da platéia. As mesmas idéias podem ser extraídas do livro “Abbas Kiarostami”, lançado no ano passado na parceria Mostra – CosacNaify, com trechos igualmente citados no curta O Mestre Invisível.
O curta de Manoel de Oliveira Do Visível ao Invisível foi igualmente iniciado na Mostra 2004, quando o cineasta escreveu aqui um roteiro e o filmou com câmera oculta na Avenida Paulista, onde dois amigos se reencontram, um português e o outro brasileiro, e não conseguem dialogar devido às seqüentes ligações em seus telefones celulares. O diálogo dos dois amigos só consegue prosseguir quando um decide, frente a frente, ligar para o celular do outro.
O projeto Os Invisíveis, derivado de uma idéia do apresentador de TV Sérgio Groisman, tem mais os seguintes diretores convidados: o canadense Guy Maddin, que apresenta na 29ª Mostra o curta extraordinário Meu Pai Tem 100 Anos, em parceria com Isabella Rossellini; o polonês Jerzy Stuhr, diretor que começou como ator de Krzysztof Kieslowski; o argentino Fernando Solanas, que este ano apresenta na Mostra A Dignidade dos Ninguéns. O projeto do longo Os Invisíveis, a exemplo da produção anterior da Mostra Internacional de Cinema Bem-Vindo a São Paulo, terá mais segmentos com a adesão novos cineastas.
Em sua oficina na Faap, dia 25/10, para uma platéia de estudantes, o mestre Manoel de Oliveira, depois da exibição de seu novo filme Espelho Mágico, coincidiu com Abbas Kiarostami seus pensamentos filosóficos sobre cinema. “Fico feliz com a idéia que um espectador, que ao ver o meu filme, esqueça que o diretor existe”. Tanto para Abbas Kiarostami como para Manoel de Oliveira, dois mestres incontestáveis do cinema, a idéia da invisibilidade realça a importância de uma arte que incita através do despojamento. Um cinema purificado com os ensinamentos de São Francisco de Assis.
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O Mestre Invisível