Jornal da Mostra
Silvio Caiozzi
Nº 373 > 29ª Mostra > 24/10/2005
Assine aqui o 'Jornal da Mostra'
Silvio Caiozzi acha que digital transformará a exibição no cinema
O cineasta chileno Silvio Caiozzi, diretor de Cachimba, é um veterano da Mostra. Ele exibiu seu primeiro filme, Julio começa em Julho, na 3ª. Mostra, em 1979. Até hoje, ele guarda uma recordação bem nítida dessa época: “Lembro-me de que havia um enorme painel na parede do MASP onde se escreviam as notas atribuídas aos filmes. E as pessoas acorriam ansiosas para ver quais os que estavam mais bem classificados. Nunca vi isso em nenhum festival”.No último domingo (23), Caiozzi esteve na mesa do “Encontro com o Cinema Latino”, no Clube da Mostra (Conjunto Nacional – Corredor Bombril, Av. Paulista 2073). Também participaram os cineastas Emilio Maillé (diretor de Rosário Tijeras) e Amat Escalante (de Sangre).
O poder e o digital – Falando de seu cinema, Caiozzi disse que uma de suas principais preocupações é o tema do poder. “Não que eu eu tenha predeterminado isso, mas analisando meus filmes hoje, noto que falam sempre do jogo do poder e de como se procura perpetuá-lo”.
O futuro do cinema sob influência da nova tecnologia digital não preocupa o cineasta chileno. Caiozzi acredita que a linguagem cinematográfica não mudará necessariamente a partir das novidades técnicas. Entretanto, acredita que se produzirá uma grande transformação em termos de exibição: “As grandes salas para exibição no formato 35 mm podem até desaparecer, sendo substituídas um dia por um cinema via satélite, que as pessoas poderão assistir em suas casas ou pequenas salas. Creio e espero que essa seja uma solução para o cinema independente”.