Jornal da Mostra
Nº 341 > 28ª Mostra > 21/07/2005
Assine aqui o 'Jornal da Mostra'
Cinema coreano se expande sem perder autocrítica
Afirmar que o cinema da Coréia do Sul é hoje um dos mais prósperos e dinâmicos do mundo já não soa como novidade. A indústria cinematográfica sul-coreana vem crescendo ao longo dos últimos 10 anos e ocupa progressivamente o vácuo deixado pela produção de Hong Kong. Mas o interessante é notar que os coreanos não se deixam levar pelo entusiasmo diante dos números positivos e, apesar do êxito dentro e fora do país de inúmeros filmes, mantêm uma postura autocrítica em relação à própria produção.Se por um lado comemoram o sucesso alcançado ano passado por filmes como Silmido – Código de Honra, de Woo-Suk Kang, e Tae-Guk-Gi, de Je-gyu Kang (28ª Mostra), responsáveis por levar um quarto da população do país (de 45 milhões de habitantes) às salas de cinema, por outro não hesitam em criticar gêneros que decepcionaram o público em 2004, como as produções de terror, que, segundo análise do Korean Film Council - entidade que reúne produtores, diretores e estudante de cinema -, espantaram a audiência com tramas mal-arquitetadas e efeitos visuais e sonoros de qualidade duvidosa.
Em seu balanço de fim de ano, os dirigentes da KFC ressaltaram também a importância do filme Tae-Guk-Gi na quebra de um velho paradigma do cinema de guerra sul-coreano de carregar no viés anticomunista. Segundo o relatório anual da entidade, o diretor Je-gyu Kang foge do padrão típico dos filmes sobre a guerra da Coréia que, invariavelmente, retratavam patriotas sacrificando suas vidas pela nação, sempre mostrando os sul-coreanos como anjos e os coreanos do norte como demônios.
Outro paradigma na escalada internacional da cinematografia coreana é o cinema de Kim Ki-Duk (de Casa Vazia – 28º Mostra), cujos filmes artísticos e perturbadores vêm acumulando prêmios em festivais pelo mundo.