Jornal da Mostra
Nº 321 > 28ª Mostra > 27/01/2004
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Berlim 2005 - “Sem patrocínios o festival não seria possível”
Dagmar Forelle cuida do departamento de patrocínios do Festival de Berlim (Berlinale) nos últimos cinco anos. “Sem o patrocínio das empresas, o festival não seria possível na sua presente forma. Mas parceiros da comunidade empresarial aparecem raramente nas matérias da mídia sobre o festival”, ela observa. E atribui isto a uma antiquada relutância em se pensar conjuntamente cultura e negócios. O orçamento total do 55o Festival de Berlim é de 10.5 milhões de Euros. 6.5 milhões de Euros (60% do orçamento) vêm dos chamados fundos públicos do governo alemão. O restante é financiado pelas receitas do festival (como venda de ingressos) e o patrocínio. “A mídia não está fazendo favor algum em excluir os patrocínios corporativos das suas páginas culturais”, diz Dagmar Forelle.Há cinco anos, o Berlinale tinha 12 patrocinadores e hoje são quase 40. Sem o patrocínio de empresas o festival não seria possível na sua presente forma, dizem os organizadores. Enquanto o governo federal alemão cobre cerca de 60% do orçamento, o festival tem que conseguir cobrir a diferença todos os anos. Junto com as receitas de venda de ingressos e taxa de cobrança por credenciamentos, o patrocínio é um dos principais pilares do orçamento do Berlinale. “Nós buscamos parceiros que incluem o patrocínio cultural na sua filosofia empresarial e que vêem o cinema como um tema atrativo”, diz Forelle.
Enquanto continua crescendo a participação dos patrocínios nos festivais, a mídia continua retraída por divulgar a contribuição dos patrocinadores. Os patrocinadores continuam aparecendo muito pouco nas matérias sobre o festival, ela diz, atribuindo esta ausência à recusa habitual de se associar cultural e negócios aos mesmo tempo, ou mesmo em menciona-los na mesma linha. “Ao invés da marca do patrocinador, eles preferem fazer menção a “um grande fabricante alemão de carros”. Ela acredita que a mídia não está fazendo favor algum para as artes ao excluir os patrocinadores das suas páginas culturais. E que os eventos culturais vão deixar de existir sem os duradouros patrocínios privados. É um anacronismo, diz Forelle, queixar-se sobre cortes nos gastos públicos em cultura ao mesmo tempo em que se torce o nariz quando uma instituição cultural recebe patrocínio da área dos negócios. “É assim que o festival garante a sua inteira autonomia em suas decisões artísticas”, completa Dagmar Forelle. Por falar nisso, os patrocinadores principais do 55o Festival de Berlim são: Volkswagen, L’Oréal de Paris e o canal de televisão alemã ZDF.