Jornal da Mostra
Nº 314 > 28ª Mostra > 29/10/2004
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Seminário discute possibilidades de maior circulação do cinema digital
Aberto pelo cineasta iraniano Abbas Kiarostami, o seminário “A Realidade Digital” registrou em seu primeiro dia uma discussão sobre as novas possibilidades dessa tecnologia e seu impacto na exibição e na distribuição de filmes. O seminário prossegue até domingo (31), sempre às 11h, no Clube da Mostra, no Conjunto Nacional.O representante da Microsoft, Paulo César dos Santos, destacou a importância do aperfeiçoamento das tecnologias digitais de compressão de informação, que possibilitam que um filme de cerca de 90 minutos, equivalente a 5 giga de informação, caiba num único DVD, um detalhe que facilita a exibição digital. Santos relacionou também os novos caminhos que estão se abrindo para distribuição de conteúdo em alta definição em computadores pessoais, fora as possibilidades de transmissão de conteúdos em celular (como trailers de cinema, por exemplo). Para o representante da Microsoft, um conceito importante é esse de que o conteúdo precisa ter meios para chegar ao consumidor.
Santos entende que talvez os EUA não tenham se interessado até agora pela exibição digital porque lá a distribuição está equacionada, nos termos de uma grande indústria organizada. Para o Brasil, porém, que dispõe de um número pequeno de salas em relação à sua população (cerca de 1800 cinemas, contra 35.000 nos EUA), a exibição digital pode ser uma alternativa importante, com cada exibidor de sala digital adquirindo licenças de exibição, encontrando-se assim uma fórmula de impedir a pirataria.
José Eduardo Ferrão, da Rain Network - empresa que exibiu digitalmente “Carandiru”, de Hector Babenco, no Festival de Sundance, e “Terra em Transe”, de Glauber Rocha, em Cannes este ano, e tem 11 filmes digitais na programação da 28a MOSTRA, já aparelhou 42 salas digitais, além de estar equipando todo o circuito Unibanco (que terá em breve as duas tecnologias, 35 mm e digital, em todas as suas 66 salas no Brasil). Ferrão assinala que, sem o grande investimento requerido para o lançamento de um filme em película 35 mm, o lançamento de um filme em digital poderia ser feito simultaneamente em salas próprias e em DVD.
Para Adhemar Oliveira, diretor do circuito Unibanco e da distribuidora Mais Filmes, “o transfer (processo de transferência do digital para película) é o grande censor para o filme digital chegar às telas”. O motivo é o alto custo do processo, cerca de R$ 200.000,00. Com a implantação de salas digitais, para Adhemar, essa barreira cai e existe uma possibilidade de democratização na exibição dos filmes captados em digital.
Ainda assim, não significa que todos os problemas estarão resolvidos para os realizadores nesse formato. Para o diretor do circuito Unibanco, um dos problemas é o Brasil não dispor de um circuito universitário. “Se cada universidade tivesse uma sala digital, se poderia escoar um tipo de filme que talvez encontraria ali o seu melhor público”, frisou.
O jornalista e cineasta Evaldo Mocarzel, diretor de “Mensageiras da Luz – Parteiras da Amazônia”, reclamou que nos festivais, como o de Brasília e Gramado, ainda existem muitas restrições ao digital. Isto força os cineastas às vezes a bancar do próprio bolso uma cópia de seus filmes em 35mm, para ampliar sua circulação.
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